14 junho 2007

Desabafo de uma mulher moderna


Desabafo de uma mulher moderna


O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede.

Estou tão acabada, não queria ter que trabalhar hoje.

Quero ficar em casa, cozinhando, ouvindo música, cantarolando, até!

Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles.

Se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas.

Aquário? Olhando os peixinhos nadarem.

Espaço? Fazendo alongamento.

Leite condensado? Brigadeiro.

Tudo menos sair da cama. Engatar uma primeira e colocar o cérebro pra funcionar.

Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a matriz das feministas que teve a infeliz idéia de reivindicar direitos da mulher e porque ela fez isso conosco, que nascemos depois dela.

Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós, elas passavam o dia a bordar, a trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando crianças, freqüentando saraus, a vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária...

Aí vem uma fulaninha qualquer que não gostava de sutiã tampouco de espartilho, e contamina várias outras rebeldes inconseqüentes com idéias mirabolantes sobre "vamos conquistar o nosso espaço".

QUE ESPAÇO, MINHA FILHA!!??

Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo aos seus pés. Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de você para comer, vestir, e se exibir para os amigos, que raio de direitos requerer?Agora eles estão aí todos confusos, não sabem mais que papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como o diabo da cruz! Essa brincadeira de vocês acabou é nos enchendo de deveres, isso sim!

E, PIOR, nos largando no calabouço da solteirice aguda. Antigamente, os casamentos duravam para sempre. Por que? Me digam por que? A mulher que tinha tudo do bom e do melhor, que só precisava ser frágil, foi se meter a competir com o macharedo?

Olha o tamanho do bíceps deles, e olha o tamanho do nosso... Tava na cara que isso não ia dar certo.

Não agüento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir, que sapatos, acessórios, que perfume combina com meu humor, nem de ter que sair correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do computador, com o telefone no ouvido, resolvendo problemas. Somos fiscalizadas e cobradas por nós mesmas à estar sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, cheirosas, unhas feitas, sem falar no currículo impecável, recheado de mestrados, doutorados, e especialidades. Viramos "super-mulheres", mas continuamos a ganhar menos do que eles...

Não era muito melhor ter ficado fazendo tricô na cadeira de balanço?

CHEGA!!! Eu quero alguém que abra a porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela...

Ai, meu Deus, são 7h30, tenho que levantar!

E tem mais... que chegue do trabalho, sente no sofá, coloque os pés pra cima e diga "meu bem, me traz uma dose de whisky, por favor?", pois eu descobri que é muito melhor servir. Ou pensam que eu tô ironizando? Tô falando sério! Estou abdicando do meu posto de mulher moderna... Troco pelo de Amélia. Alguém mais se habilita? Antes eu sonhava, agora nem durmo mais.

(autora desconhecida)

Um comentário:

@lua_luana_maria disse...

Ah... Querida, às vezes me pego em situações parecidas... Fico com vontade de criar ou até sinto falta de estar em casa durante o dia e olhar minha casa; Ai... mas minha geração já nasceu batalhando junto aos maridos o DIREITO de trabalhar fora... e eu, até dizia que não ia casar!
Penso que se não trabalhasse fora já teria filhos e teria pintado, bordado, costurado, tricotado...e até aprendido novas técnicas para paparicar meu bebê, mas... como mulher moderna, só tenho tempo para criar no trajeto que faço de ônibus, chego em casa e vou diretinho pra cozinha, lavo a louça que o marido sujou, cozinho para alimentar o marido, ponho e tiro a mesa e depois de tudo tenho que estar perfumada e maravilhosa para uma noite de amor ardente que parece não acabar antes de seus olhos embriagados de sono se encerrem num sono profundo.

O despertador? Eu nem escuto mais...

Sabe que agora até pensão as mulheres pagam quando separam-se de seus maridos?!

Porém, trabalhando fiz uma revolução em minha casa e trouxe mais aleria para minha mãe.
Hoje, com meu marido, construo uma casa e racho as despesa para conseguirmos comprar "superfluos" tecnológicos [computador, dvd...]

É realmente uma situação em que nós mulheres sofremos, pelas dúzias de jornadas de trabalho, afinal já acordamos trabalhando...

Mas se pensar por outro lado, essas mulheres [do passado], eram nobres e não precisavam trabalhar... as pobres, empregadas, escravas trabalhavam muito duro...